Depois do Carnaval, e agora?

Reflexões para um ano de decisões na Zona Leste

Quando os últimos confetes somem das ruas e os sambas-enredo se misturam à memória, Itaquera e a Zona Leste encaram a velha frase que parece piada, mas diz muito sobre o Brasil: “agora o ano começa de verdade”. Em 2026, essa ideia ganha um peso especial. Vivemos um carnaval vibrante, com blocos, escolas de samba mostrando talento e pessoas precisando respirar um pouco de alegria. Mas, passada a quarta-feira de cinzas, o cenário é outro: um calendário marcado por Copa do Mundo, eleições gerais e uma economia ainda frágil, que pesa no bolso das famílias e dos pequenos comerciantes da região.

Diante disso, a pergunta muda: estamos preparados para um ano que vai testar, mais uma vez, nossa capacidade de diálogo? Em um país polarizado, em que qualquer opinião vira motivo de briga nas redes, 2026 exige responsabilidade redobrada. Não basta escolher lado no futebol ou na política; é preciso assumir compromisso com o respeito, com a verdade e com a convivência entre pessoas que pensam diferente. A combinação entre Copa e eleições mexe com o humor coletivo, a autoestima e até com a forma como enxergamos o Brasil. O desafio, agora, é recuperar a confiança na política, na economia e, principalmente, uns nos outros.

Na Zona Leste, onde a luta por emprego, renda, saúde, educação e segurança não entra em recesso, a pergunta “o ano começa agora?” perde o sentido. Mais importante é responder: “como vamos conduzir este ano?”. Em vez de esperar apenas decisões que venham de cima, 2026 pede participação ativa, informação de qualidade e engajamento real nas pautas que afetam o bairro e a cidade. A imprensa regional, como o Desenvolve Itaquera, tem papel fundamental nesse processo, aproximando os grandes debates do cotidiano de quem enfrenta transporte cheio, serviços públicos sobrecarregados e o desafio de manter o pequeno negócio de pé.

Se o carnaval mostra o melhor da nossa criatividade, o pós-carnaval precisa mostrar o melhor da nossa maturidade. Que o Brasil que canta na avenida seja o mesmo que respeita resultados nas urnas, escuta antes de reagir e entende que democracia não é unanimidade, é convivência. O ano não começa só depois da folia; ele já começou e se renova todos os dias em cada escolha, cada conversa e cada atitude. Em 2026, entre dribles, debates e decisões, o verdadeiro desafio é transformar paixão em construção, e não em destruição. Para Itaquera, para a Zona Leste e para o Brasil, o ano começa quando a gente decide participar de verdade. E esse momento é agora.

Sair da versão mobile