Gases do efeito estufa atingem patamares históricos em 2025

Concentração de gases do efeito estufa atingem níveis recordes

Um levantamento divulgado nesta terça-feira (27) pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) revelou que 2025 registrou patamares de concentração “sem precedentes” de gases do efeito estufa na atmosfera global.

Dióxido de carbono lidera a pressão térmica

O estudo apontou que a presença de dióxido de carbono (CO₂), o principal elemento poluente, encontra-se 53% acima dos patamares pré-industriais, datados de antes de 1750. No ano de 2025, o índice alcançou 426,8 partes por milhão (ppm), o que representa um incremento de 2,8 ppm em relação a 2024.

Embora essa aceleração tenha ficado ligeiramente abaixo da alta registrada de 2024 para o ano anterior (3,6 ppm), ela superou a média acumulada da década, que é de 2,62 ppm anuais. O documento aponta que a desaceleração no ritmo decorre tanto de uma contenção nas emissões quanto da recuperação parcial de sumidouros terrestres de carbono.

Metano e óxido nitroso avançam na atmosfera

No caso do metano (CH₄), a concentração subiu para 1.948 partes por bilhão (ppb), marcando um acréscimo de 6 ppb em comparação com o período anterior. O gás responde por 16% da força radiativa total e tem dois terços de sua origem atrelados a atividades humanas, a exemplo da pecuária e da gestão de resíduos orgânicos.

Já o óxido nitroso (N₂O) atingiu 339,1 ppb, registrando alta de 1,1 ppb frente a 2024. Conhecido popularmente como gás do riso, ele possui um potencial de aquecimento cerca de 270 vezes superior ao do CO₂ por molécula, tendo nos fertilizantes agrícolas sua principal fonte de emissão antrópica.

Impactos dos substitutos industriais e novos riscos

Enquanto os tradicionais clorofluorcarbonos (CFCs) exibem queda em suas concentrações atmosféricas, substâncias substitutas como os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e os hidrofluorcarbonos (HFCs) mostram trajetória de alta. Outro ponto de atenção é o hexafluoreto de enxofre (SF₆), cujo volume atual é três vezes superior ao verificado na metade dos anos 1990 e cuja permanência na atmosfera ultrapassa 1.900 anos.

Por fim, o relatório alerta para os riscos indiretos do gás hidrogênio (H₂). Embora seja apontado como alternativa energética limpa, eventuais vazamentos em dutos e tanques reagem com moléculas limpadoras na atmosfera, reduzindo a capacidade de depuração de gases poluentes e impulsionando indiretamente o aquecimento global.

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