Justiça da Itália adia julgamento sobre extradição de Carla Zambelli

Justiça italiana adia julgamento sobre extradição de Zambelli

O tribunal da Itália adiou para o dia 24 de novembro a análise sobre a extradição ao Brasil da ex-deputada Carla Zambelli. A decisão da Corte de Apelação de Roma ocorreu após um pedido protocolado pelos advogados da política, que apontaram a falta de acesso aos documentos enviados pelo governo brasileiro detalhando a situação da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, local destinado ao cumprimento de pena caso a extradição seja efetivada.

Histórico de condenações no Supremo

A ex-parlamentar acumula penas severas impostas pelo Supremo Tribunal Federal. Em 2025, foi condenada a 10 anos de reclusão pela Primeira Turma da Corte sob acusação de falsidade ideológica e invasão de sistema informático. A investigação apontou que ela liderou a invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça em 2022 para inserir uma ordem de prisão falsa contra o ministro Alexandre de Moraes, buscando desmoralizar o Judiciário às vésperas do pleito presidencial.

Ainda no mesmo ano, recebeu outra sentença de 5 anos e 3 meses em regime inicial semiaberto por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. O episódio aconteceu na capital paulista, quando ela sacou uma arma e perseguiu um profissional da imprensa dias antes do segundo turno das eleições presidenciais.

Argumentos da defesa na Europa

A apelação atual é a segunda tentativa de envio da ex-deputada ao território brasileiro. Em um processo anterior, referente à invasão dos sistemas cibernéticos, a extradição inicial foi autorizada, mas revertida na Corte de Cassação devido a questionamentos sobre a atuação do relator no STF.

Em nota oficial, o advogado Eduardo Maurício, que representa a ex-parlamentar, justificou que o andamento processual desta terça-feira (27) precisava ser suspenso. Sem os documentos oficiais, ele afirmou não ser “possível exercer a ampla defesa e contraditório sobre as questões que envolve a garantia à saúde da ex-deputada”.

O defensor acrescentou que “extraditar Carla ao Brasil seria o mesmo que entregá-la à morte, já que o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante”.

Fuga e prisão em Roma

A saída do país ocorreu antes da expedição do mandado de prisão definitivo, utilizando um passaporte europeu para viajar inicialmente aos Estados Unidos e depois à Itália, onde pleiteou refúgio sob o argumento de perseguição política.

Após ser detida em Roma por solicitação do governo brasileiro, ela obteve liberdade depois que o primeiro pedido de envio ao Brasil foi rejeitado em definitivo, aguardando agora em solo italiano o desfecho desta nova etapa judicial.

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