Câmara de São Paulo debate reeleição de Lula e falhas no transporte

Vereadores repercutem eleição e transporte público no dia da votação

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os problemas enfrentados por eleitores no transporte público durante o segundo turno dominaram os discursos na Câmara Municipal de São Paulo nesta terça-feira.

Debate sobre democracia e urnas Durante a sessão de comunicados de lideranças, parlamentares subiram à tribuna para avaliar a movimentação nas urnas. O vereador Celso Giannazi (PSOL) celebrou o pleito e declarou: “Nós vivemos em um regime democrático e a população decidiu pela continuidade da democracia do nosso país. O presidente Luís Inácio Lula da Silva foi reeleito para o seu quarto mandato, algo inédito na nossa democracia”.

Controvérsia sobre a frota de ônibus Apesar da festa de parte dos parlamentares, a mobilidade urbana no dia da votação gerou fortes críticas. O vereador Celso Giannazi apontou que as regras estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 1013 foram desrespeitadas, já que os municípios deveriam manter uma frota equivalente à de dias úteis.

A vereadora Renata Falzoni (PSB) apresentou dados preliminares indicando que a operação de ônibus na capital ficou entre 60% e 65%. Ela citou o exemplo da empresa Sambaíba, que teria deixado 545 de seus 1.231 veículos parados na garagem, e pontuou: “Não era um domingo qualquer, era de votação. E votar é um direito e um dever de todo cidadão. A Prefeitura tinha obrigações legais de garantir a frota completa. A SPTrans alegou que colocar a frota completa seria um ‘gasto desnecessário’. Até o momento, eu não vi uma justificativa plausível.”

O papel da Comissão de Trânsito O presidente da Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica, vereador Nabil Bonduki (PT), relembrou que o colegiado enviou um ofício em 15 de outubro cobrando a frota total nas ruas. Mesmo com as falhas relatadas, Bonduki destacou que “43 das 57 zonas eleitorais o Lula ganhou. Isso aconteceu em uma parte do centro expandido e em praticamente toda periferia. O resultado mostra como a cidade de São Paulo teve uma votação massiva, apesar do problema do transporte público”.

Defesa da gestão municipal Em contrapartida, o líder do governo na Casa, vereador Fabio Riva (MDB), rejeitou as acusações contra a administração municipal e garantiu que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) “jamais mandou reduzir a quantidade de ônibus. Cumpridor de determinações judiciais, tão logo recebeu a informação do Tribunal Regional Eleitoral, encaminhou à SPTrans que as empresas teriam que colocar a frota completa no domingo”.

Riva ainda reforçou que a quantidade ofertada atendeu à demanda e afirmou: “Sem dúvida nenhuma, a cidade e os paulistanos tiveram a possibilidade de votar. Esse assunto merece muito mais cautela do que trazer para uma questão política. A cidade de São Paulo deu a sua opinião nas urnas e, efetivamente, agora é hora de nós voltarmos a pensar na cidade, no trabalhador”.

O parlamentar Marcelo Messias (MDB) corroborou os argumentos da base aliada ao afirmar que o secretário notificou as empresas de transporte no dia 24 de outubro. Messias acrescentou que o volume de veículos superou o do primeiro turno e concluiu: “Eu mesmo andei em alguns pontos da cidade, gravei vídeos e percebi que não tinha fila nos pontos de ônibus. As pessoas não foram prejudicadas. Entendo que o processo eleitoral não foi prejudicado, porque foram expandidas duas horas para a votação. A democracia foi concretizada”.

Clima no Plenário e próximos passos Presidindo a sessão, a vereadora Janaina Paschoal (PP) classificou os debates como intensos e ponderou que a assembleia refletiu a polarização do país. Ela declarou que o trabalho foi “relativamente tenso e emocionado” e acrescentou: “A Casa, como qualquer casa política, e, de certa forma, qualquer instituição que reflita o país, está dividida. Houve quem subiu à tribuna feliz para comemorar e houve quem subiu para se defender”.

As atividades legislativas retornam nesta quarta-feira, a partir das 15h, com a votação de projetos de lei de autoria tanto do Executivo quanto dos vereadores, com transmissão ao vivo pelos canais oficiais da Câmara Municipal.

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