Cursinhos populares democratizam acesso ao Enem no Brasil

Enem: cursinhos populares preparam alunos em vulnerabilidade social

Para milhares de brasileiros, o sonho de ingressar no ensino superior começa longe das salas de aula tradicionais, dentro de cursinhos comunitários que servem como ponte para a universidade. Projetos como o Jovem de Expressão, na Ceilândia (DF), integram uma rede nacional que atende estudantes de baixa renda, pessoas com deficiência e moradores de periferias, oferecendo o suporte necessário para enfrentar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) diante de realidades socioeconômicas adversas.

O papel transformador dos cursinhos comunitários

A Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP) engloba mais de 1.500 unidades em todo o país, beneficiando cerca de 58 mil alunos. O objetivo é claro: democratizar o acesso ao ensino superior para quem, muitas vezes, precisou interromper os estudos por necessidade de trabalho ou falta de recursos. Entre os alunos, encontram-se perfis diversos, desde jovens que buscam a primeira graduação até adultos com mais de 60 anos que, como Raimundo dos Santos Nascimento, de 62 anos, veem na educação uma nova perspectiva de vida.

“Quando eu era mais novo, deixei de estudar. Mas, eu gosto de estudar. Em 2020, eu fiz a prova do Enem e tirei 640 [pontos] na redação. Então, eu conheci o [cursinho] Jovem de Expressão e decidi fazer o preparatório. Eu tenho que me formar. Agora, com 62 anos, eu me sinto jovem.”

Investimento e suporte pedagógico

O funcionamento desses espaços é viabilizado por investimentos do Ministério da Educação (MEC), que destina até R$ 163,2 mil por unidade para cobrir custos operacionais, como materiais e remuneração de equipes. O coordenador pedagógico Rodrigo da Silva Soares destaca a relevância desse aporte: “Por mais que sejamos um cursinho voluntário, isso envolve custos. E ter o recurso do MEC que vem para a gente fortalece muito a continuação do trabalho”.

Além do conteúdo acadêmico, o suporte vai além da sala de aula. A presença de psicólogos, como Yasmin Moreira, é fundamental para acolher a carga emocional dos estudantes. “O acesso à saúde mental também é necessário, principalmente, quando se trata da nossa juventude periférica, que está tentando acessar outros espaços e alcançar outras coisas”, explica a profissional.

Auxílio-permanência e o sonho do ensino superior

Para garantir que os alunos não abandonem os estudos devido a dificuldades financeiras, o MEC oferece um auxílio-permanência de R$ 200 mensais. Esse recurso tem sido determinante para que estudantes como a dançarina Victória Santos, de 16 anos, consigam manter o foco na preparação para o curso de artes cênicas. “Minha vida é muito corrida. Essa bolsa tem sido essencial. Com ela, consigo me manter e tem ajudado em minha casa. Pode parecer pouco, mas ajuda muito a pagar minhas continhas, fazer um lanche e tal”, relata a jovem.

Apoiadora pedagógica no projeto, Maria Paula Cândida Reis resume o impacto social da iniciativa: “Educação transforma. Muda trajetórias. Eu consigo ver a importância deste trabalho, que parece tão pequenininho, tão formiguinha, mas o estudo tem um impacto muito grande na vida das pessoas, principalmente do pessoal da periferia”.

Com as provas do Enem 2026 agendadas para os dias 8 e 15 de novembro, esses estudantes se preparam para dar um passo decisivo em suas trajetórias, transformando o conhecimento adquirido nos cursinhos em uma porta de entrada para a universidade pública.

Sair da versão mobile