Brasil pode registrar 860 mil casos prováveis de dengue em 2027

País pode chegar a 860 mil casos prováveis de dengue em 2027

O Brasil pode registrar cerca de 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, mantendo um patamar semelhante aos anos anteriores. Os dados foram divulgados durante o webinário Preparação para a temporada de dengue 2027, realizado por iniciativas como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Fundação Getulio Vargas (FGV), o Mosqlimate e o InfoDengue.

Esforço global de previsão

As estimativas foram compiladas no relatório entregue ao Ministério da Saúde, fruto do trabalho de 130 pesquisadores de oito países. Desde 2026, a iniciativa também passou a abranger projeções para a chikungunya, outra enfermidade transmitida pelo vetor Aedes aegypti.

As análises derivam do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate (IMDC), um esforço colaborativo que emprega bases de dados padronizadas. O pesquisador da FGV e do Mosqlimate, Flávio C. Coelho, destaca a evolução do projeto: “Em três edições, o desafio cresceu de um punhado de equipes para uma comunidade global que trabalha de forma aberta para transformar dados de dengue em previsões que gestores de saúde pública possam realmente usar”.

Cenário epidemiológico e o impacto do El Niño

O modelo conjunto aponta um intervalo de incerteza que varia entre 560 mil e 1,6 milhão de ocorrências, com pico estimado em 40 mil diagnósticos apenas no mês de abril de 2027. Embora o patamar se assemelhe ao observado em períodos recentes — contrastando com a alta atípica de 2024 —, a doença segue endêmica no país.

A pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, Claudia Codeço, ressalta a necessidade de cautela: “As projeções não apontam uma epidemia como a de 2024, mas indicam que a dengue continuará exigindo atenção. É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção”.

No que tange aos fatores climáticos, a atuação de um super El Niño apresenta efeitos divergentes nos modelos avaliados. Por isso, a instabilidade climática deve funcionar como um gatilho de contingência, exigindo monitoramento constante por meio de ferramentas de curto prazo.

Alerta por estados e avanço da chikungunya

O levantamento aponta tendência de alta nos casos de dengue no Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Nos demais territórios, a expectativa é de estabilidade ou queda, embora a manutenção da vigilância permaneça indispensável em todo o território nacional.

Em relação à chikungunya, o modelo prevê mais de 90 mil ocorrências prováveis no país. A região Nordeste deve concentrar altas significativas em estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí. Aumento nos registros também é esperado na Região Sul, em São Paulo, no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul.

As recomendações fundamentais para conter a proliferação dos vírus incluem a eliminação de criadouros com água parada e a busca por atendimento médico imediato diante de sintomas como febre alta, dores articulares e manchas cutâneas.

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