Zona sul debate R$ 146,5 bilhões do orçamento municipal em audiência pública

Zona sul debate orçamento de R$146,5 bi em audiência no CEU Casa Blanca

A Comissão de Finanças e Orçamento realizou, neste sábado (07/11), uma audiência pública no CEU Casa Blanca, localizado na Vila das Belezas, para debater com os moradores da zona sul a proposta do PL 752/2026. A iniciativa faz parte do ciclo de 20 encontros programados para definir a aplicação dos R$ 146,5 bilhões previstos no Orçamento de 2027.

Entenda o processo de planejamento financeiro A plenária abrangeu as demandas das subprefeituras de Campo Limpo, M’Boi Mirim, Santo Amaro, Capela do Socorro, Cidade Ademar, Jabaquara, Parelheiros, Ipiranga e Vila Mariana. No centro das discussões estiveram a regionalização dos investimentos e a expansão do Orçamento Cidadão, mecanismo que permite à sociedade decidir o destino de parte dos recursos públicos. Para o próximo exercício fiscal, estão garantidos R$ 320 milhões no total, sendo R$ 10 milhões destinados a cada uma das 32 subprefeituras da capital.

O presidente da Comissão de Finanças, vereador João Ananias (PT), reforçou a importância de descentralizar e dar transparência ao debate. “Precisamos sair do Centro e ouvir a ponta. Cada subprefeitura aqui tem uma realidade diferente e o Orçamento tem que enxergar isso. Essa audiência é para garantir que o recurso chegue onde mais precisa e que a população acompanhe para onde vai cada real”.

Visão do parlamento e gestão municipal O relator da LOA 2027, vereador Marcelo Messias (MDB), pontuou a relevância de transformar os recursos financeiros em melhorias concretas para os bairros. “Estamos falando de um orçamento de R$146,5 bilhões. Nossa missão aqui é transformar esse número em entrega na ponta. Precisamos reconhecer o esforço do prefeito Ricardo Nunes e de todos os secretários no que já foi entregue este ano em escolas, UBSs, CEUs, habitação com entrega de escrituras e o transporte aquático, que é exclusivo da zona sul, e garantir que no próximo ano tenhamos ainda mais entregas, com os R$10 milhões do Orçamento Cidadão chegando de verdade em cada território”.

Já o vereador Silvinho Leite (UNIÃO) questionou os critérios para a distribuição dos recursos entre as regiões. “São Paulo tem realidades muito diferentes entre as regiões, principalmente nas periferias. O aumento de 6% é essencial para novos investimentos, mas como vamos reduzir essa desigualdade? Existe um indicador de equilíbrio?”, indagou, ao mencionar estudos para a criação da Secretaria da Pessoa Idosa.

Na mesma linha, o vereador Silvão Leite (UNIÃO) chamou a atenção para a conservação ambiental na zona sul. “São territórios fundamentais para São Paulo. Preservar é cuidar dos mananciais e das famílias que vivem ali”, afirmou, pontuando os R$ 593 milhões direcionados à preservação e a urgência de finalizar obras em andamento.

Principais demandas da comunidade A etapa aberta aos cidadãos revelou uma série de reivindicações nas áreas de infraestrutura urbana, saúde e mobilidade. Foram solicitadas melhorias na zeladoria do Parque do Lago, ações de drenagem no Jardim Miriam e na Estrada da Baronesa, além da instalação de um aparelho de ressonância magnética no Hospital Jabaquara e a construção de uma nova unidade hospitalar no Capão Redondo.

Representando a Sociedade Amigos do Jardim Miriam, Benedito de Oliveira, o Benê, cobrou atenção redobrada para a infraestrutura local. “A gente mora em área de manancial e parece que o poder público esquece da gente. Pedimos infraestrutura de verdade: asfalto, drenagem, saneamento e investimento para preservar as represas, sem deixar o morador para trás. O Jardim Miriam existe e precisa entrar no Orçamento”.

A moradora Simone Morena relatou as dificuldades enfrentadas no Parque do Lago. “Não tem mais condição de andar no Parque do Lago. É buraco em cima de buraco, o asfalto acabou. A gente pede recapeamento urgente, porque estraga carro, causa acidente e isola o bairro”.

Por sua vez, Wilson Vieira apontou a deficiência tecnológica no atendimento médico da região. “O Hospital Jabaquara tem mais de 40 anos e atende a zona sul inteira, mas não tem ressonância. O morador tem que se deslocar para outro bairro, pega duas, três conduções. Isso traz um transtorno enorme para quem já está doente. A gente precisa desse equipamento aqui”.

Outros temas abordados incluíram a acessibilidade nos pontos de ônibus, defendida por José dos Reis Batista. “A gente tem muito idoso e gestante que usa o ponto da linha Chácara Santana e não tem onde sentar, não tem abrigo, não tem cobertura. No sol e na chuva, o pessoal fica esperando em pé. Pedimos a implantação de abrigos com assento e acessibilidade de verdade”.

A pauta da longevidade também ganhou espaço com a manifestação de Maria Helena Ramalho, coordenadora do Fórum da Pessoa Idosa do Grajaú. “A pessoa idosa merece respeito e dignidade. Queremos três EMADs (Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar) para Corredor Magia, Grajaú e Parelheiros, ampliar o Programa de Assistência e ter uma sede própria. Os idosos estão aumentando cada vez mais e precisamos de equipamentos sociais”.

Por fim, José dos Santos relatou problemas recorrentes de alagamento. “A Estrada da Baronesa alaga toda vez que chove, na altura da Ponte do Jaracati. Quebra um carro, um caminhão e ninguém mais passa, fica tudo parado. Tem um piscinão do lado que não está dando conta. E a gente precisa também de um hospital municipal no Capão Redondo para desafogar o M’Boi Mirim e os outros hospitais da região”.

Respostas do poder executivo Diante dos apontamentos da sociedade civil, gestores municipais detalharam algumas das futuras intervenções na região. A titular da SEPM (Secretaria Executiva do Programa Mananciais), Maria Tereza Fedeli, destacou o escopo de atuação da pasta. “Não é só habitação. São muitas demandas em todos os territórios. Vamos ter a felicidade de entregar o Armazém Solidário no Conjunto Novo Brasil, no Grajaú, um pedido antigo da população local, e vamos dar atenção às demandas destacadas aqui”.

O titular da SMSUB (Secretaria Municipal das Subprefeituras), Fabrício Cobra Arbex, encerrou as ponderações técnicas utilizando uma analogia sobre o planejamento orçamentário. “Gosto de trazer a metáfora do cobertor. A partir das demandas que vocês apresentaram, vamos alocar os recursos nas políticas públicas. Acompanhamos também os planejamentos estratégicos. As obras na região Sul têm complexidade que vai além da gestão pública. Vamos dar atenção às demandas apresentadas aqui para melhorar e entregar”.

Todas as sugestões coletadas durante o evento serão avaliadas pela Comissão de Finanças para eventual inclusão na versão final da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027 por meio de emendas parlamentares.

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