UBSs promovem grupos esportivos gratuitos para todas as faixas etárias na cidade de São Paulo
O sedentarismo contribui para o desenvolvimento de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade, elevando o risco de problemas cardiovasculares. Foi para chamar atenção a esse cenário que a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o Dia Mundial da Atividade Física, celebrado em 6 de abril, com o objetivo de conscientizar a população sobre os benefícios do exercício regular para a saúde física e mental.
Os números reforçam a urgência da data. Segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, apenas 42% dos moradores acima de 18 anos nas capitais brasileiras e no Distrito Federal declararam, em 2024, praticar atividades físicas no tempo livre. Isso significa que 58% da população não cumpre sequer os 150 minutos semanais de atividade moderada recomendados pela OMS.
Para mudar esse quadro, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade de São Paulo oferecem, por meio de equipes multiprofissionais, diversas modalidades de atividade física para todas as idades — e de forma gratuita.
Na UBS Jardim da Conquista II, na zona leste, o pedreiro Antônio Costa Santana, 57 anos, é um exemplo vivo dessa transformação. Ele participa de três grupos de atividades por semana: alongamento e caminhada às segundas-feiras, fortalecimento muscular às quintas e treinamento funcional às sextas. A mudança, no entanto, foi resultado de uma decisão tomada há dois anos, após uma vida marcada pelo excesso de trabalho e pelo sedentarismo.
“A minha vida era trabalhar e meu apelido era ‘hora extra’. Nunca tinha feito atividade física, e minha saúde foi ficando debilitada. Tinha crises de asma e pneumonia recorrentes, além de dores por causa da hérnia de disco”, relata Antônio. Com a prática regular, ele não só recuperou a mobilidade — “antes eu não conseguia pegar um saco de argamassa porque a coluna travava” — como também melhorou a capacidade respiratória e superou um quadro de depressão, reduzindo progressivamente a medicação até receber alta médica.
Animado com os resultados, Antônio levou a esposa, Maria Edineide, 54 anos, para se juntar aos grupos. Para ele, o coletivo é parte essencial da motivação. “Sozinho eu não me exercito. Com outras pessoas, tenho mais motivação porque tem o compromisso de dia e horário. Acordo já pensando em ir. Mesmo quando trabalho até mais tarde, não perco de jeito nenhum”, conta.
A educadora física Bruna Marques Menegaldo coordena os 16 grupos de atividades da UBS Jardim da Conquista II, criados a partir das necessidades identificadas nos próprios pacientes e nas demandas trazidas pelas equipes de saúde da família. O processo começa com uma avaliação física individualizada. “Se uma pessoa tem dor na coluna, eu direciono para o grupo de pilates”, explica.
As queixas mais comuns entre os participantes são dores articulares nos joelhos, quadril e coluna, além de sobrepeso, obesidade e doenças crônicas. Os resultados são acompanhados por meio da Escala Visual Analógica (EVA) e dos registros médicos. “Percebo melhoras quanto às dores, redução de medicamentos, controle da glicemia, circunferência abdominal e diminuição do risco cardiovascular”, aponta Bruna.
As atividades aproveitam os espaços públicos do próprio bairro: caminhada em pista em frente à UBS, fortalecimento muscular nos aparelhos de praças e circuito funcional em quadra esportiva da região.
Alguns grupos atendem públicos com necessidades específicas. O grupo de ginástica sentado é voltado para idosos com fragilidade de locomoção, fraqueza muscular e osteopenia, encaminhados após a Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (Ampi-AB). “Temos pacientes que deixaram de usar a bengala para se locomover”, destaca a educadora. Já o grupo de reabilitação pós-AVC, desenvolvido em parceria com fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, foca na coordenação motora e no estímulo das funções cognitivas.
Para o público infantil, a UBS oferece atendimento integrado com nutricionista e psicóloga para crianças com sobrepeso e obesidade, além de um grupo de aprendizado com fonoaudióloga, voltado para crianças com atraso no desenvolvimento relacionado a dislexia, TEA ou TDAH.
Além dos benefícios físicos, Bruna ressalta o impacto social dos grupos, especialmente para idosos que vivem sozinhos. “Eu proponho festinhas e passeios para promover a interação social. Já fizemos piquenique em parques, passeio pelo Centro Histórico e visita ao Museu da Imigração. E aí uma traz o marido, o outro leva o vizinho, e os grupos vão crescendo.”
Para quem quer começar a se movimentar, algumas orientações simples podem ajudar na transição para um estilo de vida mais ativo: experimentar diferentes tipos de atividade para encontrar a que mais agrada; planejar horários com maior disponibilidade na rotina; começar com intensidade leve e aumentar progressivamente; fazer deslocamentos a pé ou de bicicleta sempre que possível; optar pelas escadas em vez do elevador; evitar longos períodos sentado ou deitado, levantando a cada hora; e buscar a UBS mais próxima ou o Programa Academia da Saúde para participar de grupos gratuitos.











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