O fim da aglomeração na antiga Cracolândia, localizada no centro de São Paulo, provocou uma retração de 66,3% nos roubos registrados entre janeiro e setembro de 2023 e o mesmo período de 2026, atingindo o menor patamar da série histórica com 2.168 ocorrências.
Queda generalizada nos índices criminais
Os indicadores de criminalidade despencaram nas áreas que abrangem o 3º Distrito Policial (Campos Elíseos) e o 77º DP (Santa Cecília). Os homicídios dolosos diminuíram de 15 para cinco casos, alcançando o menor índice fora do período de isolamento da pandemia em 2020, enquanto os latrocínios zeraram, passando de três para nenhuma ocorrência.
Impacto nos furtos e roubos de veículos
Os dados oficiais mostram ainda que os roubos de veículos caíram de 16 para cinco. Os furtos gerais recuaram 5,8%, totalizando 8.318 registros, e os furtos de carros e motos marcaram o menor patamar em 26 anos, com 148 notificações frente às 215 verificadas no ano anterior.
Ações integradas de inteligência e segurança
O esvaziamento da aglomeração, que chegou a abrigar cerca de 2,5 mil pessoas e foi desmobilizado em maio de 2025, veio acompanhado de forte presença policial e investigações voltadas a desarticular o tráfico, além de coibir esquemas de lavagem de dinheiro em estabelecimentos como ferros-velhos e hotéis.
“Com a dispersão do fluxo concentrado de usuários, houve uma redução dos crimes associados à dinâmica que existia na região, como furtos e roubos. As ações policiais também foram fundamentais para interromper o abastecimento de drogas e desarticular as estruturas que sustentavam essa atividade. Com isso, fomos tornando a área menos atrativa para os criminosos e criando condições para que a população volte a ocupar esses espaços com mais segurança”, afirma o coordenador do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), coronel Carlos Henrique Lucena.
Atendimento social e uso de tecnologia
A estratégia combinou o patrulhamento ostensivo com a triagem de abordados, direcionando dependentes químicos para o Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas do Governo de São Paulo, enquanto o mapeamento tecnológico identificou que mais de 60% dos 4,8 mil frequentadores catalogados entre 2023 e 2025 possuíam antecedentes criminais.
