Consulta pública discute proibição de redes sociais para menores de 16 anos, toques de recolher digitais e limites a chatbots de IA, em busca de mais segurança para crianças e adolescentes.
O governo do Reino Unido iniciou uma consulta pública de três meses para decidir se redes sociais devem ser proibidas para menores de 16 anos. A medida busca ouvir pais, especialistas e as próprias crianças sobre o impacto das plataformas digitais na saúde mental, na qualidade do sono e na rotina dos jovens. A partir das contribuições, o país pode avançar para a criação de leis específicas para controlar o acesso de adolescentes a esses ambientes on-line.
Além de um possível bloqueio total, o governo britânico avalia alternativas como toques de recolher à noite e limites de tempo de uso diário. Também está em discussão a restrição de chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT, voltados para menores. A iniciativa acontece em um cenário em que a Austrália já adotou regras semelhantes em 2025 e outros países europeus demonstram interesse em medidas mais rígidas de proteção digital para crianças e adolescentes. O principal objetivo é frear ferramentas consideradas viciantes, como rolagem infinita e reprodução automática de vídeos, desenhadas para manter o usuário conectado por longos períodos.
Enquanto a consulta pública está em andamento, o Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido conduz testes práticos com centenas de adolescentes para avaliar o efeito de diferentes tipos de restrições. Um dos estudos acompanha 150 jovens de 13 a 15 anos em três cenários distintos: bloqueio completo das redes sociais, limite de uma hora por dia ou desligamento obrigatório durante a noite. Os pesquisadores vão analisar se essas limitações contribuem para melhorar o sono, o humor, a prática de atividades físicas e outros indicadores de bem-estar.
Outra frente de discussão é a proibição de recursos específicos das plataformas para menores de idade, como a própria rolagem infinita, a reprodução automática de conteúdos e sistemas de recomendação que estimulam o uso contínuo. O governo também discute tornar a verificação de idade muito mais rígida, para evitar que crianças acessem serviços destinados a adultos. No centro do debate está o desafio de equilibrar segurança digital com o direito de os jovens explorarem a internet, aprenderem, se expressarem e se conectarem com outras pessoas.
Organizações de proteção à infância, porém, têm levantado alertas sobre os riscos de um banimento total. Entidades como NSPCC e Childnet avaliam que uma proibição ampla pode empurrar adolescentes para ambientes mais perigosos, menos monitorados e com pouca responsabilidade das empresas de tecnologia. Já a Molly Rose Foundation defende como caminho mais adequado o reforço das leis de segurança que já existem, com aplicação mais rigorosa e fiscalização constante sobre as plataformas.
A consulta pública termina em 26 de maio de 2026, e o governo britânico pretende apresentar uma posição oficial entre junho e setembro, durante o verão europeu. A meta é construir um ambiente digital mais seguro para crianças e adolescentes, sem eliminar as possibilidades de criatividade, aprendizado e convivência social que as redes sociais também podem oferecer quando usadas de forma responsável.











Discusão sobre post