A discussão sobre a modernização da jornada de trabalho, em especial o modelo 6×1, é legítima e necessária para quem deseja um futuro com mais qualidade de vida para os trabalhadores, sem perder de vista a sobrevivência das empresas e a preservação do emprego formal no Brasil.
Falar em jornada é falar em equilíbrio. Reduzir horas sem avaliar impactos na produtividade e na competitividade pode gerar um efeito colateral perigoso: crescimento da informalidade, corte de postos com carteira assinada e trabalhadores obrigados a buscar “bicos” para complementar a renda. Em vez de mais tempo com a família, mais horas em trabalhos precários.
Do ponto de vista da CDL Itaquera, é fundamental que qualquer proposta de mudança seja construída com base técnica, dados concretos e diálogo responsável entre empresas e trabalhadores. O emprego formal precisa ser protegido como prioridade. Cada comércio de bairro, cada serviço instalado na Zona Leste representa renda, direitos e dignidade para famílias inteiras.
Outro ponto central é a produtividade. Não existe mágica: para trabalhar menos horas mantendo salários e ampliando benefícios, é indispensável produzir mais e melhor no mesmo período. Isso passa por qualificação profissional, inovação, digitalização de processos e melhoria da gestão. Sem esse salto, a conta simplesmente não fecha.
Também é essencial reconhecer que os setores são diferentes entre si. A realidade de uma grande rede varejista não é a mesma de uma pequena loja de rua em Itaquera. Por isso, a negociação coletiva, feita com transparência e responsabilidade, é o melhor caminho para adaptar a jornada às especificidades de cada atividade, sem sacrificar nem o trabalhador nem o pequeno empreendedor.
Modernizar a jornada 6×1, portanto, não é apenas mexer no relógio de entrada e saída. É redesenhar o mundo do trabalho para que a promessa de mais qualidade de vida venha acompanhada de segurança jurídica, estabilidade econômica e proteção ao emprego. Esse é o compromisso que defendemos a partir de Itaquera, com olhar atento à realidade da Zona Leste e respeito a quem gera riqueza e a quem a produz todos os dias.
Por Roger Fildimaque, em nome da presidência da CDL Itaquera, para o Jornal Desenvolve Itaquera.











Discusão sobre post