74,82 milhões de brasileiros estão com o nome negativado, e para quem vive na zona leste de São Paulo, esse número tem rosto e endereço
O Brasil bateu mais um recorde de inadimplência em abril de 2026. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, 74,82 milhões de brasileiros estão com o nome negativado — o equivalente a 44,69% de toda a população adulta do país. Na zona leste de São Paulo, esse número não é abstrato. É vizinho, é familiar, é parte do dia a dia de quem mora por aqui.
A nossa região, historicamente menos favorecida em investimentos públicos e oportunidades econômicas, carrega um peso extra nessa equação. Manter o nome limpo em bairros como Itaquera, Cangaíba, São Miguel, Guaianazes e tantos outros cantos da zona leste é um esforço real, disputado mês a mês com contas de água, luz — setor que registrou a maior alta entre os credores, com crescimento de 22,38% nas dívidas —, alimentação, transporte e aluguel. Não é descuido. É pressão acumulada sobre um orçamento que não fecha.
Os dados reforçam essa leitura. A faixa etária mais atingida é a de 30 a 39 anos, com mais de 18 milhões de pessoas negativadas — justamente o trabalhador ativo, o pai ou a mãe de família, o pequeno empreendedor que tenta construir algo no próprio bairro. E o dado que mais chama atenção é que quase três em cada dez devedores devem até R$ 500 — ou seja, para muita gente da nossa região, não é uma dívida astronômica que está com o nome no cadastro. É uma conta esquecida, uma parcela que escapou, um imprevisto que virou bola de neve.
Na zona leste, nome limpo é acesso — a crédito, a emprego, a oportunidades que a nossa região ainda precisa conquistar. Nome sujo fecha porta, e porta fechada aqui demora muito mais para reabrir. O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, orienta: liste as dívidas, priorize as de juros mais altos e só negocie dentro do que o seu bolso realmente aguenta. Aceitar um acordo sem essa margem é apenas adiar o próximo atraso. A zona leste tem história, tem força e tem gente que trabalha duro. Cuide do seu nome — ele vale mais do que qualquer dívida em aberto.
