Programa Parque Jacuí, parceria entre o Governo de SP e o Instituto NUA, revitaliza estruturas do espaço para ampliar qualificação profissional e empreendedorismo nas comunidades da região
O Núcleo de Lazer Vila Jacuí, localizado na zona leste da capital paulista, está passando por uma transformação que vai muito além de sua função tradicional de lazer. Por meio do Programa Parque Jacuí, desenvolvido em acordo de cooperação entre o Governo de São Paulo e o Instituto NUA, o espaço está sendo convertido em um polo de educação ambiental, qualificação profissional, empreendedorismo e turismo de base comunitária, gerando novas oportunidades para moradores das comunidades União de Vila Nova e Jardim Lapenna.

A iniciativa é liderada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e prevê a revitalização e a gestão do Viveiro Escola e do Restaurante Escola, que passarão a oferecer cursos em educação ambiental, agroecologia, gastronomia, hospitalidade, turismo comunitário e empreendedorismo. O programa também vai implantar um coworking comunitário para incentivar a inovação, a inclusão digital e o desenvolvimento de pequenos negócios, além de promover atividades de turismo de base comunitária, com formação de guias locais e criação de roteiros que valorizem o patrimônio ambiental, histórico e cultural da região.
Investimentos e crescimento da visitação
Desde 2023, o Núcleo de Lazer Vila Jacuí recebeu R$ 20 milhões em recursos destinados ao custeio e à melhoria da infraestrutura. Desse total, R$ 3,2 milhões foram investidos nas reformas realizadas em 2024, que modernizaram diferentes estruturas e ampliaram a capacidade de atendimento do espaço.

Os investimentos vieram acompanhados de um crescimento expressivo na visitação. Em 2023, o parque recebeu 786.274 visitantes; em 2025, esse número saltou para 948.680. Apenas no primeiro semestre de 2026, já foram contabilizados 329.765 visitantes, consolidando o espaço como uma das principais áreas públicas de lazer, convivência e educação ambiental da zona leste.
Para a secretária Natália Resende, a iniciativa amplia o papel dos parques urbanos ao integrar conservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico. “É um projeto muito importante e queremos que ele sirva de exemplo e de referência para fazermos em outros parques e em outros locais do Estado de São Paulo, porque une meio ambiente, participação da comunidade, sustentabilidade, oportunidade e geração de emprego e renda”, afirmou.

A secretária visitou o projeto na terça-feira (7) e provou um bolo de tapioca com geleia de manga-da-vez e farofa de rapadura com coco de licuri, criado por Nicolas de Jesus Amaral, de 20 anos. Quatro anos antes, ele havia ingressado na Unidiversidade da Quebrada, iniciativa do Instituto NUA que oferece formação a jovens de comunidades da zona leste, e hoje trabalha como cozinheiro contratado pela organização. “O projeto abre portas. Mesmo para quem escolhe outra profissão, ele ajuda a construir um caminho”, contou Nicolas.
Quatro frentes de atuação
Para o fundador do Instituto NUA, Hermes de Souza, a proposta nasceu da vontade de dar novo propósito a estruturas que estavam subutilizadas. “Identificamos espaços arquitetonicamente valiosos e entendemos que seu principal propósito deveria ser servir à comunidade. Vamos revitalizar o Viveiro Escola, o Restaurante Escola e implantar um Centro de Tecnologia e Inovação para transformá-los em um polo de capacitação profissional prática, empreendedorismo e geração de renda”, explicou.
O programa está estruturado em quatro frentes: o Viveiro Escola, voltado à formação em educação ambiental, hortas urbanas, jardinagem e agroecologia; o Restaurante Escola, com capacitação em gastronomia e atendimento; o Turismo de Base Comunitária, que desenvolverá roteiros e experiências conduzidas por moradores; e o Coworking Comunitário, destinado ao empreendedorismo e à inclusão digital.
Um destaque tecnológico do programa é a utilização da Cacimbrota, sistema de aquaponia que integra a criação de peixes ao cultivo de plantas em um ciclo sustentável: os resíduos dos peixes são transformados em nutrientes pelas plantas, que, por sua vez, purificam a água que retorna aos viveiros.
Sonhos que começam a florescer
Lorena, de 9 anos, é um dos símbolos do futuro que o programa pretende construir. Durante atividades de jardinagem, ela aprendeu a produzir adubo utilizando argila e terra úmida. “Estou aprendendo a plantar flores porque quando eu crescer quero ser florista”, disse a menina, que representa a essência do que o Programa Parque Jacuí propõe: transformar o espaço público em um ambiente que acolhe, educa e abre caminhos para toda a comunidade.











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